Iluminação adequada na Indústria gráfica

Posted by TAS on out 17, 2008 in Pré-Impressão |

Por Pedro Gargalaca Filho
Site Revista Publish

Muitas foram as vezes em que a iluminação adequada resolveu problemas de cor em empresas espalhadas pelo mundo. Até pouco tempo atrás, a preocupação com este quesito era mínima, porém, após a consolidação da norma ISO 3664, a indústria gráfica passou a ter esse tipo de preocupação. Vamos, então, neste artigo, descrever algumas características essenciais para uma iluminação adequada.

Inicialmente devemos conhecer a fonte luminosa que vamos utilizar para nosso ambiente de trabalho e para analisar visualmente nossos originais. Toda fonte luminosa possui cor, e, portanto, devemos conhecê-la por meio do uso de um espectroradiômetro, que mede a curva de emissão espectral dos iluminantes e também o índice de reprodução de cor (IRC).

Esta curva é extremamente importante, pois caracteriza qual é a principal cor emitida pelo iluminante, bem como sua riqueza espectral. Por exemplo, o iluminante incandescente apresenta riqueza espectral na região de 630 a 700 nanômetros, e isto equivale a uma emissão de comprimentos de onda amarelos e vermelhos. Por esse motivo, este iluminante é amarelado e avermelhado. Para a luz do dia das 12 horas a característica é de riqueza espectral na região de 400 a 480 nanômetros (região do azul), o que caracteriza uma iluminação mais azulada.Para o iluminante F2, também conhecido como fluorescente branca fria, a riqueza espectral se dá na região do verde, i.e., entre 520 e 580 nanômetros.

A curva do iluminante padronizado pela ISO 3664, isto é, o iluminante D50 possui proporcionalidade entre azul violeta, verde e vermelho, de tal maneira que todo e qualquer impresso ou prova analisados sob este iluminante será observado sem nenhuma tendência de cor.

Para se avaliar esses iluminantes no mercado, criou-se o Índice de Reprodução de Cor, também conhecido como CRI ou IRC dos iluminantes (assunto que já foi apresentado anteriormente). Em pouquíssimas palavras, este índice quantifica qual é o grau de proporcionalidade de emissão espectral entre os principais componentes da luz branca (azul violeta, verde e vermelho).

A preocupação com a fonte luminosa é somente o início do processo de padronização do ambiente de trabalho.
O segundo item a ser considerado deverá ser as cores dos objetos presentes no ambiente. Sabendo-se que todo objeto reflete luz, e que ela tem cor, podemos fazer uma associação com a iluminação. Para que a luz refletida pelos objetos permaneça neutra, a cor dos objetos deverá também ser neutra. Para isso, a norma ISO especifica que a cor das paredes do ambiente de trabalho deverá ser cinza neutro. A preocupação com a cor dos objetos não deve ser apenas nas paredes do ambiente, mas também na cor das roupas e bancadas de trabalho. Como o brilho faz parte integrante do fenômeno da cor, todas as superfícies do ambiente de trabalho deverão ser foscas para não haver nenhuma interferência neste sentido.

O posicionamento dos iluminantes no ambiente de trabalho deverá ser outra preocupação para os profissionais especializados em cor, pois poderá causar um efeito conhecido como “Glare”. Ele se caracteriza quando ocorre a formação de um brilho excessivo na superfície do material analisado, impedindo que o observador veja as cores do objeto corretamente. Para evitar problemas com o “Glare”, os especialistas em iluminação criaram duas formas de iluminar um ambiente. Uma delas com luminárias conhecidas como simétricas, e outra com luminárias assimétricas. As primeiras iluminam diretamente os objetos e fazem uma difusão dos raios luminosos com superfícies defletoras e/ou filtros difusores. O segundo tipo caracteriza-se pelo posicionamento dos iluminantes em ângulo maior que 30º em relação ao objeto, para que o observador não sofra interferência do “Glare”.

Para a análise de cor em monitores, é recomendado o uso de iluminação indireta, para não haver interferência da iluminação ambiente com aquela emitida pelo monitor. Recomenda-se também, em alguns casos, a dimerização da luz do ambiente para deixá-lo em penumbra, caso necessário. Para que uma luz fluorescente no padrão ISO 3664 seja dimerizada, alguns critérios técnicos devem ser adotados.

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